Flashback: Consulta pré-concepcional, parte II – Centro de Saúde

Ora bem, recapitulando a história anterior, decidimos engravidar à GO Privado à 80€ em consulta, ecografia e citologia à Ainda queriam que eu gastasse 350€ em análises.
(Agora a sério, cliquem aqui para ler a parte I )
Vocês ainda não sabem, mas eu sou muito forreta. Custa-me gastar dinheiro, principalmente quando acho que é mal gasto, ou tenho opções mais baratas. Fiz a concessão de ir ao GO privado pois tenho plano de saúde e porque me diziam que era o melhor a fazer, mas a história das análises…..uiui.
Tempo de tomar uma decisão: a) gastava esse dinheiro todo? ; b) não as fazia e fosse o que deus quiser?; ou c) inscrevia-me no Centro de Saúde.
A opção b estava fora dos planos. Que tipo de hipócrita seria eu se após tanto tempo a pregar a importância de saber se estava tudo bem ANTES de engravidar, eu fosse simplesmente saltar este passo. Mas também não me estava a apetecer gastar aquele dinheiro todo, especialmente sem saber primeiro se conseguia fazer o mesmo, por um preço melhor. Então decidi começar a minha aventura no centro de saúde.
Quase que aposto que sei que dúvida vos está a surgir na vossa cabecinha: “mas qual é o stress de ir inscrever no Centro de Saúde? Porque é que ela anda a evitar isso?”. E a resposta é….opah, nem eu sei bem. É que sempre ouvi dizer tão mal dele e de todos os stresses relacionados, incluindo o facto de estar lotado, não aceitar novos utentes e de as pessoas não terem médicos de família. Ah, e consultas de urgência, só se formos para lá às 5h da manhã. Portanto, este era o stress.
Plano alternativo, eu não precisava exactamente de consulta com médico de família, eu podia ir ao planeamento familiar. Afinal de contas “planear” não é só ir buscar a pilula e os preservativos para não engravidar, também devia dar ajuda a quem quer engravidar.
E lá fui eu, ao centro de saúde da minha área de residência tentar inscrever-me. Cheguei lá, e levei com um redondo “não”. O CS não estava a aceitar mais utentes, teria de me ir inscrever no centro da freguesia ao lado (pelo que percebo o outro é o principal, e este é tipo “satélite”, se é que isto faz sentido…).
Pois, o que eu temia. Estão a ver a má fama que este tem? O da freguesia vizinha é tipo 3x pior. Aqui ao menos atendem telefones, lá nem isso. Aqui têm um edifício próprio, lá funciona num prédio velho, sem elevador sequer. Yah, a vontade não era muita… mas a vontade de largar 350€ era menor, então teve de ser.
Aproveitei o dia em que fui fazer a ecografia endovaginal que o GO tinha prescrito e disse ao namorado que tínhamos de ir lá (sim, ele foi para apoio moral e porque eu morro de vergonha a ir a sítios desconhecidos… sim, podem crer que tudo isto que fiz desde que pensei em engravidar até agora tem sido uma grande aprendizagem).
Chegamos ao CS, tentamos descortinar qual era o piso, qual era a senha, e ficámos à espera. Assim sem exageros, deviam estar umas 30 pessoas naquela sala de espera. Está bem que não eram todas para a mesma senha, e alguns estavam lá só sentados à espera da consulta, mas mesmo assim… era muita gente. 30 minutos depois, após muita confusão e terem chamado uma administrativa de outro piso para ajudar, lá chegou a minha vez (calhou-se essa administrativa super eficiente, que é a minha heroína de lá, e que hei-de voltar a falar nela mais para a frente). Inscreveu-me no CS e marcou-me consulta de planeamento para dali a menos de um mês. O nosso plano era começar a tentar em Novembro, tínhamos consulta em Outubro, pareceu-me bem encaminhado.
Chega o dia da consulta. Só vos posso dizer, ADOREI o médico. Com ele, tive o atendimento que eu esperava no privado. Despendeu imenso tempo a completar a minha ficha: fez-me várias perguntas sobre o meu estado de saúde geral; perguntou-me sobre hábitos tabágicos, álcool, drogas (que podem comprometer a concepção e no caso de gravidez, ser factor de risco); doenças na família (para ver se existia alguma doença hereditária que pudesse ser passada ao bebé, ou pôr em risco a gravidez e ver o risco de mal formações do tudo neural); viu o boletim de vacinas, para o caso de precisar de levar alguma antes de engravidar. Enfim, coisas simples mas potencialmente muito importantes que o GO nem aflorou. No meu caso não tinha feito grande diferença, pois não tinha nenhum destes factores de risco, mas e se tivesse?
Bem, como já tinha feito citologia e ecografia, e nessa altura já tinha o resultado da eco mas ainda não tinha da citologia porque, e eu tinha esquecido de referir, eles só davam o resultado na próxima consulta com o médico (mas se houvesse alguma coisa mal, ligavam a dizer), como estava a dizer, como já tinha feito isso, apenas me passou as análises, prescreveu o ácido fólico e iodo (que faz parte das recomendações e o GO nem passou), reforçou a importância de tomar essas vitaminas 2 meses antes de engravidar e marcou a próxima consulta. Aí fiquei triste, pois a consulta era só para dali a um mês, na altura que eu já era para ter deixado a pílula. Decidi ver o resultado das análises primeiro e depois tomar decisões.
Já agora, para quem não sabe que tipo de análises são prescritas, o importante é ver as imunidades (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus), infecções de doenças sexualmente transmissíveis (hepatite, SIDA, sífilis), e saber o tipo sanguíneo (muito importante saber se a mãe é rh- ). Ou seja, aquelas análises básicas do colesterol, glicémia, hemograma só não são suficientes (embora também sejam importantes). Há médicos que também vêm como está a tiróide e isso também é importante.
E querem a cereja no topo do bolo? Não paguei nada. Nem a consulta nem as análises, pois o planeamento familiar e as análises passadas nessas consultas são isentos de taxas moderadoras. Fica aqui a dica.
Quando tive o resultado das análises, vi que era imune à rubéola (vacina), ao Citamegalovirus (wtf? Onde é que apanhei isso?) mas não à toxoplasmose (pronto, mais uma dor de cabeça com os cuidados na gravidez). Tudo o resto estava como esperado. Portanto no início de Novembro, deixei a pílula e vamos ver no que vai dar. Não vou mentir, é um nervoso miudinho aquelas primeiras vezes sem pílula, o pensar “será que estou a fazer a coisa certa”, “ai mãe, e se engravido logo?”, mas depois passa.
Resumindo e concluindo, acho que tive uma má experiência no privado mas o público compensou. Não quer dizer que seja sempre assim, afinal de contas, há bons e maus médicos em todo o lado. Faz sentido quem já esteja a ser seguida por GO fazer a consulta lá (e isto é uma daquelas coisas do “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, eu devia ter sido acompanhada por GO muito antes disto) no entanto, não descartem a hipótese do planeamento familiar, principalmente se estiverem numa situação parecida à minha. Quanto à consulta ser feita por médico de família, bem, não tenho experiência para partilhar. Mas na minha opinião, vão se tiverem uma boa relação com ele, senão, penso que o planeamento é melhor (estão mais focados nesse assunto e deixam o MF livre para outras doenças).
E vocês, o que fizeram ou estão a pensar fazer?

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