Flashback: Consulta pré-concepcional, parte I – GO Privado

Quando alguém diz que pensa engravidar, uma das primeiras coisas que perguntam (além de “estás maluca?”) é “já foste ao médico?”. Pois, gravidez não é doença, mas há certos cuidados a ter, e se nos prepararmos bem, maiores as chances de tudo correr pelo melhor. E em Portugal, o nível de cuidados pré-natais é bem elevado e capaz de pôr muito país a um cantinho.
Pois, isto entra em conflito com algo meu que é, nunca ir ao médico. Muito sinceramente já há uns 10 anos que não ia a uma consulta. Médico de família era coisa que não tinha (e sinceramente continuo sem ter), aliás, como mudei de casa, nem estava inscrita no centro de saúde da minha área de residência. Outro pecado que cometi, era nunca ter ido a um ginecologista, portanto, não, também não tinha GO privado. Tive de começar tudo do zero.
Primeira decisão, a que médico ir. Aproveitei e já que tenho plano de saúde (diferente de seguro, basicamente tenho acesso a médicos do privado a preços mais bonitos) decidi ir a um GO. Não tinha preferência de qual médico, apenas o sítio (uma clínica aqui perto).
Como eu odeio telefonar para sítios que não conheço (e não sei o que hei-de dizer e afins), preferi telefonar antes para a linha de apoio do plano de saúde e eles logo marcavam a consulta. Ora, primeiro problema, é marcar consulta de obstetrícia ou ginecologia? Porque eu não andava com nenhum corrimento estranho ou coisas assim, eu queria era engravidar. Mas por outro lado, ainda não estava grávida. Qual das especialidades é que faria esse tipo de consulta? Fiquei a saber que é ginecologia. Obstetrícia é só depois de engravidar.
Dia da consulta, lá cheguei eu sem saber bem ao que ia. Primeira vez naquela clínica (perdi-me no caminho para lá), nem sabia bem em que edifício era (e para piorar ginecologia tanto podia ser no edifício da maternidade como do principal) primeira vez que ia a uma consulta sozinha, sem saber bem onde me dirigir, o que fazer e afins. Estava a tornar-me numa mulherzinha.
Lá fui chamada para a consulta (após muuuito tempo de espera), o médico fez-me algumas questões, do tipo o porquê de ter pedido a consulta, se tomava algum anti-contraceptivo, qual, quando tinha sido a minha ultima menstruação e pouco mais. Disse que me ia passar o ácido fólico, ia fazer exame ginecológico a ver se estava tudo bem, mais a citologia e ia passar uma ecografia.
Até aqui tudo bem, estava dentro do que esperava daquilo que tinha lido. Perguntei-lhe sobre as análises, aquelas que devemos fazer antes de engravidar e que são tão importante. “ah, essas não são precisas, logo faz quando engravidar”. What?!! Então e se eu tiver agora alguma doença que não sei, não será melhor tratar logo e depois engravidar? Mas pronto, aqui a tonhó só pensou isso, não disse nada.
Entretanto ele acabou a observação e começou a passar as análises. “Olha, mudou de ideias”. Até aqui parecia tudo bem, mas quando saí da consulta e fui ao guichet para os carimbos e coisas necessárias, a senhora deu uma olhada rápida para a requisição das análises e comentou logo “depois pede ao seu médico de família para lhe passar uma credencial para fazer estas análises, que assim são caras”. Oi?
Pois, fiquei a saber nesse dia, que os médicos privados podem passar receitas de medicamentos com comparticipação, mas exames e outros meios de diagnóstico não. O que é estupido é que eu já devia saber disso mas não sabia.
Ora, lembram-se da parte que eu não tinha médico de família? Pois é, continuava a não ter. E não me apetecia ir inscrever no centro de saúde. Então o plano foi: vou à clinica de análises, vejo quando é que me vão ficar as análises, e se for um preço assim acessível, faço logo. Cheguei, o computador estava em baixo, mas mais uma vez esta senhora também disse logo que ficavam caras (e eu a pensar, mas quão caras, 50€? 100€?). Ficou com o meu número, e na parte da tarde dava orçamento. Entretanto também me sugeriu o médico de família, e eu disse-lhe que não tenho, nem estava inscrita no centro de saúde. Mas comecei com essa ideia do se calhar podia ir às consultas de planeamento familiar. Aí não precisava de médico de família para nada.
Na parte da tarde lá recebo o telefonema. Mesmo a fazer algo diferente que o médico tinha prescrito (umas juntas em vez de separadas que assim ficava mais barato) aquela brincadeira ainda me ia ficar a cerca de 350€. Eu lembro-me que recebi o telefonema estava eu a descer as escadas do meu prédio e ia tendo um treco. Tanto dinheiro? Não admirava que toda a gente me estivesse a mandar para o médico de família. Tive de dar o braço a torcer, lá teria de arranjar um tempinho para ir ao centro de saúde inscrever-me e arranjar consulta.
Com isto tudo, fiquei com algumas dúvidas existenciais: o médico saberia do valor daquelas análises? Se sim, porque é que não explicou logo que ele não conseguia passar com comparticipação e por isso que eu devia passar pelo médico de família? Será que era por isso que ele logo ao início não as queria passar? Nesse caso o porquê dessa conversa do “quando engravidar logo faz”?
Enfim, como o post já vai longo, as minhas aventuras no centro de saúde ficam para depois.
See ya.

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