Amamentação Parte I - No hospital

Quem me conhece sabe que um dos meus grandes medos era não conseguir amamentar. Sempre ouvi dizer que a minha mãe não teve leite nem para mim nem para a minha irmã e sempre meti na cabeça que lhe iria seguir os passos.
 
Durante a gravidez não cheguei a ter perdas de colostro, o que me aumentou um pouco esse medo. A única coisa que me "alegrava" era ver que realmente as minhas mamas tinham sofrido alterações (maiores, auréola mais escura, mamilo sensível).
 
Chega o dia do parto e continuo sem ver pinga de leite. Assim que nasceu, colocaram-me o bebé em cima de mim, e ele bem que dava à cabeça á procura da mama, mas não tinha jeito nem eu sabia fazê-lo estando eu de barriga para cima.
 
Quando fomos para o recobro, a enfermeira ajudou-me a colocar o bebé a mamar. Considerando que eu tinha acabado de parir, experimentámos a posição deitada de lado. Bem, o rapaz não atinava com aquilo nem por nada. Estão a ver os pica-paus, sempre a dar á cabeça? Parecia ele. A enfermeira teve de segurar a cabeça com força para ele se aperceber que tinha já o mamilo na boca e começar a mamar.
 
Não minto, é uma sensação esquisita. Ainda por cima com os mamilos sensíveis. Mas lá foi. Ah, e aquela posição não era das melhores, tinha de estar com o braço para cima para a mama descair, ter atenção a ver se a mama não tapava o nariz do miúdo. Mas pouco a pouco lá mamou na mama esquerda.
 
Passámos para a direita. Aí o mamilo era mais pequeno, ele custava a apanhar. Introduz-se mamilo de silicone e ele pega lindamente. E eu na dúvida, mas o miúdo está mesmo a mamar alguma coisa ou é em seco? Isto porque eu não via nada. Nem quando espremia o mamilo. Mas as enfermeiras e as médicas sabem espremer como deve ser. E vai-se a ver o colostro não era nada daquilo que eu esperava. Era amarelo...e espesso. Parecia lanolina (a minha melhor amiga uns tempos depois).
 
Sabem o que é pior a alimentar um miúdo a colostro? É que é muito pouco... e o miúdo era comilão. Vá, comilão se calhar não é a palavra certa. Queria mamar muito, mas assim que ia à mama, adormecia. E não queiram saber a trabalheira que é manter um bebé acordado para mamar.... "Ah e tal, despe o babygrow do bebé, se ele estiver desconfortável mama melhor". E constipa-se mais facilmente também. "Faz cocegas nos pés". Também não resultava muito bem. "Toalhitas". Idem. Resultado, um stress.
 
Ora, aspectos práticos da coisa. A enfermeira disse, no mínimo 15 minutos em cada mama, não deixar estar mais de 3h (a contar do início). Sim, quando temos já leite, o objectivo é mamar até esvaziar a mama. Agora quando a mama ainda não tem leite, ainda bem que nos deram este objectivo para termos uma noção do que fazer.
 
Ora, o rapaz nasceu ás 19h30, recobro, passar para a enfermaria, tentar fazer o levante.... fiquei sozinha já devia passar da 1h. Mamou, toca a pôr o despertador para daí a 3h. Acham que aguentou tanto? Nada! Meia hora depois já chorava. Novamente mamar (e não era só meia hora, era quase uma hora até largar a mama), dormir meia hora, recomeça.
 
Para contextualizar, a noite anterior não tinha dormido nada com as contracções, e as duas noites antes dessa tinha dormido mal com os nervos de ir a indução. E na primeira noite com o bebé pouco dormi de novo. A única maneira de termos duas horinhas de sono, foi ele mamar deitado ao meu lado, e quando adormeceu, eu praticamente não o mexi. Ficou a dormir na maca ao meu lado. Nunca consegui que ele dormisse no berço dele no hospital...nem em casa nas primeiras semanas (vai isso vai ser história para outro dia).
 
E quando acordava, chorava muito. Mesmo muito. Eram 3 bebés no quarto e o meu era o que chorava mais. O enfermeiro foi oferecer suplemento... bolsou tudo. E não se calou. Só se calava com a mama na boca
 
Ah, e além de noite mal dormida, sabem qual foi o outro resultado disto? Mamilos gretados. Tanta chupadela dos mamilos fez logo ferida. Maravilha... e eu não tinha as minhas coisas comigo não pude colocar logo pomada. Sim, porque ele quando apanhava o mamilo era a valer e fazia logo aumentar de tamanho. É uma força de sucção incrível. Estão a ver aquele truque do por o dedo no canto da boca para ele largar o mamilo? Pois, ele largava, mas tinha de pôr com muita força. E mesmo assim custava a dar com o mamilo, andava sempre a bicar feito pica pau até o apanhar.
 
No outro dia, já comecei a dar de mamar sentada e realmente essa era a minha posição. Maca ou cadeira do acompanhante, qualquer sítio era bom. Só apanhei foi um mau hábito, arrastar-me na cama. Sim, do tipo, sentava-me à beira da cama com o bebé ao colo, e depois arrastava-me para me encostar. "Não parece muito mau" pensam vocês. Pois, mas com pontos lá em baixo era.... tive um ponto que custou a fechar...ou muito me engano ou foi desta linda brincadeira.
 
E finalmente acreditei que até tinha leite. Não que visse nada sair, mas o puto bolsava leite, e também havia restos de leite no mamilo de silicone, portanto, eu tinha leite. Fiquei feliz por isso.
 
Com tanta novidade (primeiro banho, primeiro contacto com o pai, visitas da família...) não me lembro bem, mas parece que a amamentação correu relativamente bem. No dia seguinte, nem por isso. Por mais mama que desse, ele parecia nunca estar satisfeito. Sempre a chorar, sempre a chupar aos mãos (sinal típico de fome). Infelizmente às vezes tinha de o deixar chorar, ou interromper as mamadas, devido ao corropio da enfermaria.
 
Finalmente foi visto pela pediatra, tinha perdido 300g desde que tinha nascido. Não chegava aos 10% e portanto teve alta na mesma, mas já era para ficar de sobreaviso. "Vai correr melhor em casa" pensei.
 
E correu. Melhor. Mas houve dificuldades na mesma. Mas isso fica para a próxima
 
See yah

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